30/06/2015 às 22h26min - Atualizada em 30/06/2015 às 22h26min

Polícia e técnicos retiram 'caixa-preta' do carro do cantor Cristiano Araújo

Módulo será analisado em SP, mas pode ter que ser enviado à Inglaterra. Sertanejo e a namorada morreram após acidente na BR-153, em Goiás.

Do G1 Goiás
Peça será analisada e pode revelar velocidade na hora do acidente(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Técnicos da montadora Land Rover realizaram nesta segunda-feira (29) uma perícia no carro do cantor Cristiano Araújo, de 29 anos, morto após um acidente na BR-153, em Goiás. Junto com membros da Polícia Civil, eles analisaram o veículo por quase duas horas e retiraram um aparelho que poderá revelar qual a velocidade que a Range Rover Sport, ano 2015, estava quando saiu da pista.

"[O aparelho é] uma espécie de tacógrafo, até como eles [técnicos] comentaram, uma espécie de 'caixa-preta' com todos os dados que a gente precisa para tentar esclarecer o fato", disse o delegado Fabiano Henrique Jacomelis, responsável pelo caso.

O acidente aconteceu na madrugada do último dia 24, quando o sertanejo voltava de um show em Itumbiara, no sul do estado. Além de Cristiano, estavam no carro Allana Moraes, namorada do músico, e Victor Leonardo, um dos empresários dele, e Ronaldo Miranda, motorista do artista. A jovem de 19 anos morreu no local. Já Ronaldo e Victor se feriram, foram atendidos no hospital, mas já receberam alta.

O investigador disse que o equipamento é bastante simples, mas também pode revelar se os air bags e os freios funcionavam. O tempo de espera pelo resultado vai depender de onde a peça ser analisada.

"Os técnicos vão levar esse módulo para São Paulo. Se esclarecer lá vai ser mais rápido. Mas, segundo informações deles, se não der resultado, eles vão encaminhar a peça para a Inglaterra. Aí vamos ter que ter um pouco mais de paciência", explica.

Rodas
As rodas do veículo não era originais segundo investigações da polícia. O ex-jogador Tiago Ferreira dos Santos, de 29 anos, afirmou em entrevista exclusiva ao G1 e à TV Anhanguera, que presenteou Ronaldo com os equipamentos. Ele explicou que não imaginava que isso poderia ter ligação com o acidente e disse que as repassou para o motorista do cantor em janeiro deste ano, quando decidiu vender seu veículo.

"Eu vi na Rússia e fiz a mesma coisa. Comprei as rodas e pintei de branco. Quando tirei, o Ronaldo mostrou interesse e me perguntou o que iria fazer com elas. Disse que se ele quisesse, poderia pegar para ele. Não tinha porque vender rodas para um cara que sempre quando precisei, em ajudou. Dei as rodas para ele", lembra.

Por duas vezes, uma em Porto Alegre, onde mora, e outra em Goiânia, Simão fez reparos em duas das rodas. Ele negou que o procedimento era uma solda e alegou que este tipo de procedimento é comum.

"Todo mundo que tem roda esportiva faz reparo. Não creio que se pudesse tirar a vida de alguém, esse procedimento seria feito. Eu rodei bastante com essas rodas e elas não estavam destruídas. Acontece que quando se passa em estradas ruins, com buracos, elas emperram", afirma.

Em nota enviada ao G1, a Jaguar Land Rover, fabricante dos carros tanto de Simão como de Cristiano Araújo, informou que "não recomenda em nenhuma circunstância o uso de peças e acessórios não originais em seus veículos". A empresa disse ainda que continua colaborando com as investigações da Polícia Civil de Goiás. Por telefone, a assessoria informou ainda que as rodas originais do modelo são de aro 20.

Acima da velocidade
No depoimento, Ronaldo confessou ao delegado Fabiano Henrique Jacomelis, responsável pelas investigações, que conduzia o veículo acima da velocidade permitida no onde ocorreu o acidente, que é de 110 km/h. Ele explicou ainda que perdeu o controle do carro depois que um dos pneus estourou.

“Ele disse que estava correndo um pouco, mas não soube precisar exatamente qual era a velocidade no momento do acidente, já que o carro era muito potente e ele não percebeu o excesso. Ele também informou que ouviu um barulho de pneu furado e, em seguida, perdeu o controle”, relatou o delegado ao G1.

Além de Ronaldo, o empresário de Cristiano Araújo que também estava no carro, Victor Leonardo, prestou esclarecimentos à políca e também disse que ouviu o pneu estourar. "O Victor disse que ouviu o barulho e, na sequência, o Ronaldo gritando que o pneu tinha estourado. Depois disso, segundo ele, foi tudo muito rápido, desde que o motorista perdeu o controle até o capotamento”, disse o delegado.

Segundo o delegado, o motorista, que chorou durante todo o depoimento, afirmou que não faz consumo de bebidas alcoólicas e negou que estivesse usando celular ou que tenha dormido antes de perder o controle, o que já havia sido informado por Jacomelis após Ronaldo ser submetido ao teste do bafômetro e atestar negativo.

O condutor perdeu o controle da direção 21 minutos após o grupo fazer uma parada em um posto de combustíveis, a cerca de 57 km do local do capotamento. O físico Reges Guimarães analisou a velocidade média feita pelo carro com base no horário das imagens de uma câmera de segurança. "Ele fez uma velocidade média de 162 km/h", diz.

Já o pai de Cristiano, João Reis de Araújo, disse que já havia alertado o filho sobre excesso de velocidade. "Eu sempre ia a todos os shows e neste eu não estava. Fico muito entristecido por isso, pois eu não estava lá no último show dele. E tem coisas que a gente fica com um porquê na cabeça. Se eu tivesse junto, tenho certeza que eu ia brigar, porque eles foram muito rápido. Eu sempre puxava a orelha dele quanto a isso, pois ele deixava o pessoal correr um pouco”, afirmou.

O delegado também solicitou um laudo cadavérico das vítimas fatais e uma perícia no local do acidente para comprovar se Cristiano Araújo e Allana Moraes usavam cinto de segurança no banco de trás no momento do acidente. Ele ainda vai ouvir Victor, por considerá-lo peça-chave.

Morte e enterro
Cristiano Melo Araújo nasceu no dia 24 de janeiro de 1986 na cidade de Goiás. Filho de João Araújo e Zenaide Melo, ele tinha três irmãos: Ana Cristina Melo Araújo – de quem é gêmeo –, Felipe Araújo e Nelson Faleiro. O cantor namorava a estudante Allana Moraes havia 1 ano e dois meses. Ele deixou dois filhos – João Gabriel, de 7 anos, e Bernardo, de 2, frutos de relacionamentos anteriores.

O cantor e a namorada morreram após o acidente na BR-153, entre Morrinhos e Pontalina. O sertanejo chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital na capital, mas já chegou sem vida.

O corpo de Cristiano Araújo foi enterrado por volta das 12h de quinta-feira (25), no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia. Mais de 1,5 mil pessoas, entre familiares, amigos e fãs, acompanharam a cerimônia, segundo estimativas da Polícia Militar. Eles deram uma salva de palmas e cantaram vários sucessos do artista durante a despedida.

O sepultamento do cantor ocorreu após um cortejo de 15 km em um carro dos bombeiros, que partiu do Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde o corpo foi velado por mais de 15 horas, até o local. O caixão estava coberto por uma bandeira do Brasil e outra do Vila Nova, time do coração do sertanejo.

Diferente do previsto inicialmente, o corpo de Allana não foi enterrado ao mesmo tempo que o de Cristiano. O sepultamento dela ocorreu no mesmo local, horas antes.

 


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