30/06/2015 às 22h33min - Atualizada em 30/06/2015 às 22h33min

Empresário de Cristiano Araújo ouviu pneu do carro estourar, diz polícia

Ele disse que estava distraído, mas não acredita em excesso de velocidade. Victor Leonardo também contou que vítimas não usavam cinto de segurança.

Do G1 Goiás
Victor estava no carro de Cristiano Araújo no momento do acidente (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

O empresário Victor Leonardo, que viajava no carro do cantor Cristiano Araújo no momento do acidente que matou o músico, de 29 anos, e a namorada, Allana Moraes, 19, disse à Polícia Civil que ouviu um dos pneus do veículo estourar. Em seguida, ele relatou que o motorista, Ronaldo Miranda, perdeu o controle e saiu da pista. Além disso, o homem confirmou que as duas vítimas não usavam cinto de segurança.

“O Victor disse que ouviu o barulho e, na sequência, o Ronaldo gritando que o pneu tinha estourado. Depois disso, segundo ele, foi tudo muito rápido, desde que o motorista perdeu o controle até o capotamento”, disse o delegado responsável pelo caso, Fabiano Henrique Jacomelis.

Ainda no depoimento, o empresário disse acreditava que o carro não estava com excesso de velocidade. “Ele não teve tanta certeza com relação à velocidade porque disse estar distraído mexendo no celular”. Entretanto, o motorista do veículo disse ao delegado que acreditava estar acima do limite de velocidade de 110 km/h, porém não soube precisar o quão rápido estava.

Ronaldo e Victor viajavam nos bancos da frente do veículo e usavam cinto de segurança. Já Cristiano e Allana, segundo Victor, seguiam no banco traseiro sem o equipamento de proteção. Os dois sobreviventes foram socorridos e encaminhados para o Hospital Municipal de Morrinhos e, posteriormente, transferidos para o Instituto Ortopédico de Goiânia (IOG). Os dois já tiveram alta.

A polícia ainda aguarda informações da fabricante veículo, um Range Rover Sport ano 2015, para ter certeza da velocidade em que o carro estava no momento do acidente. Além disso, o delegado está apurando modificações feitas nas rodas do automóvel e se isso pode ter contribuído para a morte do casal.

Jacomelis ressaltou que, caso seja provado que houve imperícia ou imprudência, o motorista poderá responder por homicídio culposo (sem intenção) na direção de veículo automotor, que tem pena de dois a quatro anos de prisão.

Rodas
O motorista de Cristiano Araújo, Ronaldo Miranda, confirmou durante seu depoimento que as rodas que estavam no veículo no momento do acidente não eram originais e que havia solda em uma delas. “Ele disse que foi um amigo em comum dele e do Cristiano quem cedeu essas rodas, que eram de outro Range Rover. Os pneus eram novos, mas já tinham sido reparados antes. Ele não soube detalhar quando houve a troca”, disse Jacomelis.

Os equipamentos foram dados ao motorista pelo amigo e ex-jogador de futebol Tiago Ferreira dos Santos, de 29 anos. Ele afirmou que que já havia feito reparo em duas das rodas, mas em momento algum acreditou que essa alteração pudesse ocasionar a saída de pista.

A Jaguar Land Rover informou, por meio de nota enviada ao G1 por sua assessoria, que "não recomenda em nenhuma circunstância o uso de peças e acessórios não originais em seus veículos". A empresa disse ainda que continua colaborando com as investigações da Polícia Civil de Goiás.

Sem mágoas
Os pais da estudante Allana Moraes dizem que não têm mágoas e não culpam o músico e o motorista pela perda da filha. “De jeito nenhum, eu queria encontrar o seu João [pai de Cristiano], pessoas da equipe e, de um modo especial o Ronaldo, pois eu queria tirar esse peso, pois vão colocar uma carga muito pesada em cima dele por estar dirigindo esse carro", afirmou a mãe da jovem, Miriam Coelho Pinto.

Segundo ela, Allana era apaixonada pelo sertanejo e partiu com quem mais amava. "Ela gostava muito dele. Então, na verdade, foi no amor, por amor e com o amor da vida dela", disse.

O pai da estudante, o representante comercial Frank Moraes, também diz que não encontra um único responsável pelo acidente. Ele diz que Cristiano sempre voltava dos shows dormindo no colo de Allana, no banco traseiro do carro, e sempre alertava a filha para usar o cinto de segurança.

Morte e enterro
Cristiano Melo Araújo nasceu no dia 24 de janeiro de 1986 na cidade de Goiás. Filho de João Araújo e Zenaide Melo, ele tinha três irmãos: Ana Cristina Melo Araújo – de quem é gêmeo –, Felipe Araújo e Nelson Faleiro. O cantor namorava a estudante Allana Moraes havia 1 ano e dois meses. Ele deixou dois filhos – João Gabriel, de 7 anos, e Bernardo, de 2, frutos de relacionamentos anteriores.

O cantor e a namorada morreram após o acidente na BR-153, entre Morrinhos e Pontalina. O sertanejo chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital na capital, mas já chegou sem vida.

O corpo de Cristiano Araújo foi enterrado por volta das 12h de quinta-feira (25), no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia. Mais de 1,5 mil pessoas, entre familiares, amigos e fãs, acompanharam a cerimônia, segundo estimativas da Polícia Militar. Eles deram uma salva de palmas e cantaram vários sucessos do artista durante a despedida.

O sepultamento do cantor ocorreu após um cortejo de 15 km em um carro dos bombeiros, que partiu do Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde o corpo foi velado por mais de 15 horas, até o local. O caixão estava coberto por uma bandeira do Brasil e outra do Vila Nova, time do coração do sertanejo.

Diferente do previsto inicialmente, o corpo de Allana não foi enterrado ao mesmo tempo que o de Cristiano. O sepultamento dela ocorreu no mesmo local, horas antes.


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