03/11/2015 às 08h45min - Atualizada em 03/11/2015 às 08h45min

Maria Jamile explica como funciona a pílula que estimula o desejo sexual nas mulheres

Pílula Addyi foi aprovada pelas autoridades que regulam medicamentos nos EUA e deve começou a ser vendida por lá em outubro. Brasil ainda não tem o produto disponível.

Com agências
Tribuna Piranhense
Médica Maria Jamile (Foto: A.P.)

A descoberta da pílu­la rosa por especia­listas dos Estados Unidos despertou em mulheres de todo o mundo a curiosidade de como esse medicamento pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de quem sofre com a falta de desejo sexual. A médica Maria Jamile Ribeiro Duarte Nogueira - que ajuda casais há anos, desvendando os segredos para uma vida sexual saudável e prazerosa – estudou sobre o assunto e explica que o primeiro mito que deve ser esclare­cido é que a Addyi não deve ser chamada de Viagra femi­nino.

“Muitas pessoas tem chamado a pílula rosa de Viagra feminino, mas isso é um engano. A pílula rosa atua em certas áreas do cérebro e, no caso da pílula azul (Viagra), o funcionamento é mecânico, relaxando a musculatura do pênis, aumentando o aposte de sangue ao órgão e levando o homem à ereção. São situações completamente diferentes, já que o Viagra age no momento do con­sumo, enquanto a pílula rosa demora de quatro a seis semanas para come­çar a fazer efeito e o uso é diário”, explica Maria Jamile.

Segundo Maria Jamile, a pílula de­senvolvida para o homem demorou cerca de seis meses para virar realidade e o medicamento para o prazer feminino levou mais de cinco anos e foi reprovado três vezes antes de ganhar o tão sonhado “sim”. Por aí é possível ver a complexidade”.

Segundo a profis­sional com quase 30 anos de atuação na área, uma questão central deve ser levantada quanto o assun­to é a pílula rosa. “Até que ponto o prazer da mulher poderá ser regulado por uma pílula?”, interroga. Na opinião de Jamile, a baixa libido femi­nina vai além de aspectos físicos, mas “está ligada a causas fisiológicas, psico­lógicas ou culturais, como cansaço, rotina, falta de diálogo, parceiro com eja­culação precoce, agressi­vidade, falta de atenção e carinho”, diz ela, que hou­ve relatos como estes constantemente em seu consul­tório.

“Em minha opi­nião, dificilmente uma pí­lula vai resolver esses pro­blemas, mas para aquelas mulheres que não tem nenhuma dessas queixas, creio sim, que o medica­mento poderá ajudar e muito”, pontua.

Polêmicas à parte, o debate ainda está enga­tinhando e o medicamen­to sequer chegou ao Brasil. Para prescrevê-lo os pro­fissionais daqui terão que receber um treinamento. O medicamento também provoca uma série de efei­tos colaterais como risco de desmaio, sonolência, pressão baixa e enjoo, o que indica que resultados de estudos mais aprofundados deverão vir por aí. Não tome nenhum medi­camento sem antes conversar com seu médico para esclarecer as dúvidas.


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