06/01/2016 às 22h40min - Atualizada em 06/01/2016 às 22h40min

Número de casos de zika vírus confirmados em Goiás sobe para 4

Três novos registros foram feitos em Santo Antônio do Descoberto e Goiânia. Em dezembro, mulher grávida já havia sido diagnosticada com a doença.

Do G1 Goiás
Secretaria confirmou quatro casos de zika vírus em duas cidades de GO (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A Secretaria de Saúde do Estado de Goiás (SES-GO) confirmou mais três casos de zika vírus em Goiás nesta quarta-feira (6). Segundo o órgão, os pacientes são uma mulher de 33 anos, que está no 2º trimestre de gestação, um idoso, que não teve a idade divulgada, e um bebê, de 2 anos. Os dois primeiros são moradores de Goiânia e a criança, de Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do DF, mesmo local onde já havia sido constatado o primeiro caso da doença no estado, uma mulher, também grávida, em dezembro último.

A gerente estadual de Vigilância Epidemiológica, Magna Maria de Carvalho, afirmou que as confirmações foram feitas por meio de exames laboratoriais. “A gestante e a criança estão bem e já tiveram alta. A paciente grávida passará por todo o acompanhamento necessário de pré-natal, mas não é possível confirmar se o bebê vai nascer com microcefalia ou não”, afirmou.

Já em relação ao idoso, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) explicou que o idoso mora na região sul da capital e está internado em observação. O órgão disse ainda que o paciente viajou recentemente e não é possível confirmar se ele contraiu a doença em Goiânia. A secretaria determinou que 110 agentes estejam nas proximidades da residência do idoso nesta quinta-feira (7) para combater o mosquito.

A secretaria disse ainda que a gestante de Goiânia que teve a zika confirmada nesta quarta-feira foi diagnosticada com a doença na terça-feira (5). Segundo o órgão, ela apresentou sintomas como febre baixa, coceira, pequenas feridas pelo corpo e dores nas articulações.

Na residência onde ela mora, já foi realizado o bloqueio, ou seja, agentes de saúde foram a um raio de 150 metros da casa da paciente e usaram inseticidas para matar os mosquitos adultos e evitar que a doença se espalhe.

Casos
O primeiro caso confirmado da doença em Goiás foi de uma gestante de 22 anos, que está no 1º trimestre de gestação e também mora em Santo Antônio do Descoberto. Ainda não é possível confirmar se os dois casos da doença na cidade têm alguma relação. “A criança e gestante têm endereços não muito distantes, mas, aparentemente, são casos isolados”, pontuou a gerente.

A gerente lembrou que foi realizada uma operação de combate ao Aedes aegypti na cidade. Na ocasião, 40% dos imóveis estavam fechados e, ainda assim, foi verificado 9% de infestação pelo mosquito, o que mostra que existem focos do mosquito na cidade e podem ser encontrados outros nos espaços que não foram vistoriados.

A SES informou ainda que, desde novembro de 2015, foram notificados 62 casos do zika vírus. No entanto, houve apenas quatro confirmações. Existem ainda 45 casos sob investigação e outros 14 já foram descartados com base em exames.

A gerente apontou que ainda é difícil contabilizar o verdadeiro número de casos suspeitos de zika. "Em 80% dos casos, a doença não manifesta sintomas. Além disso, ainda não é possível confirmar a doença por meio de sorologia, ou seja, não conseguimos identificar os anticorpos do vírus ainda. Só há confirmação quando encontramos fragmentos do próprio virus", apontou.

Ainda conforme Magna, dentre os casos notificados, sete são gestantes que tiveram alguma infecção ou apresentaram algum sintoma de zika, por isso são considerados casos que podem estar ligados ao vírus. Ainda assim, não há nenhuma gestante em Goiás com a doença cujo bebê tenha microcefalia.

Microcefalia
No total, foram notificados 51 ocorrências de microcefalia no estado por meio do Registro de Eventos em Saúde Pública (Resp). No entanto, eles ainda não foram confirmados. “Todos esses casos estão sendo investigados, mas esse número muda muito, já que muitos têm a medição do crânio incorreta. Em outros casos, o bebê nasceu antes da hora, então tem a cabeça um pouco menor mesmo, o que não significa que seja microcefalia”, ressaltou Magna.

Ainda conforme ela, a contaminação por zika vírus no início da gestação aumenta as chances do bebê ter microcefalia, mas não é possível confirmar essa relação até o final da gravidez. “A confirmação da microcefalia é feita entre a 32ª e a 35ª semana de gestação por meio de ultrassonografia e outros exames”, afirmou.

Um bebê nasceu com a malformação em uma maternidade do Setor Bueno, em Goiânia, nesta quarta-feira. A mãe da recém-nascida, que mora em Querência (MT), já sabia que ela teria um problema de malformação e, por isso, optou pelo parto na capital goiana. A confirmação de que o crânio da criança mede 29 centímetros ocorreu logo após o nascimento.

A microcefalia é uma condição rara em que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal, apresentando perímetro igual ou menor a 32 centímetros. Crianças que nascem com essa malformação podem ter complicações no desenvolvimento da fala, motora e até quadros de convulsão.

A doença pode ter causas genéticas, passadas dos pais para a criança, como também por uso de drogas, álcool ou outros produtos tóxicos durante a gestação, além de possíveis infecções que atinjam o bebê durante a gestação.

Protocolos
Ainda conforme Magna, todos os casos de microcefalia e zika vírus devem ser notificados para que possam ser investigados. Os casos da síndrome de Guillain-Barré também estão sendo estudados, já que eles podem aumentar com o crescimento no número de casos de zika vírus.

“Já foi verificado em Pernambuco o aumento de casos dessa doença com o aumento de pacientes com zika vírus. Se tiver uma epidemia de zika, o número de casos da Guillain-Barré também pode ser maior”, apontou.

Além das medidas para combater a proliferação da doença em locais de maior risco, a SES realiza uma força-tarefa em todo o estado para combater o Aedes aegipty. O programa tem como meta visitar todos as casas do estado quatro vezes até o final do primeiro semestre, buscando eliminar o mosquito.

Nesta quarta-feira foram vistoriados 33 municípios. O trabalho continua na sexta-feira (8), quando outros 38 serão fiscalizados por agentes de saúde, técnicos da saúde, bombeiros e voluntários.


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