26/04/2016 às 09h04min - Atualizada em 26/04/2016 às 09h04min

Mãe da menina Lívia chora em depoimento e diz que não suspeitava que companheiro abusava de sua filha

Criança morreu em decorrência da compressão realizada sobre seus pulmões durante ato de violência sexual. Padrasto é o principal suspeito e está preso.

Jotta Oliveira - em Piranhas
Tribuna Piranhense
Perícia apontou que Lívia foi estuprada horas antes de morrer (Foto: Reprodução/Rede Social)

Lidia Xavier, de 25 anos, mãe da menina Lívia Raquel Nery dos Anjos, de 4 anos, foi ouvida novamente pela Polícia Civil de Aragarças e voltou a negar que tinha conhecimento dos abusos sofridos por sua filha, que foi morta após ter sido estuprada e asfixiada. A criança morreu durante a madrugada do último dia 19 de abril, no Pronto Socorro de Barra Do Garças (MT) e, após exames realizados, ficou constatado que a criança foi violentada sexualmente e asfixiada mecanicamente antes de morrer. Segundo a polícia, o principal suspeito do crime é o padrasto da menina, Sandro Ferreira, de 28 anos, que foi preso no mesmo dia do falecimento. A acusado do crime convive com a família da vítima há aproximadamente um ano, em Bom Jardim de Goiás.

De acordo com o delegado Ricardo Galvão, responsável pelo caso, esse novo depoimento da mãe de Lidia Xavier foi no sentido de esclarecer se ela tinha ou não conhecimento das supostas violências praticadas por seu companheiro contra a filha. Conforme apurou o Tribuna Piranhense, Lidia chorou e voltou a afirmar que nunca notou nenhuma atitude suspeita de Sandro [principal suspeito e seu marido] e, por isso, não tinha motivo para desconfiar dele. Após ser ouvida, a mulher foi liberada.

Desde o início da investigação, o delegado Ricardo Galvão afirma que a mãe da criança – que largou o pai da filha para ficar com Sandro – também está sendo investigada por suspeita de conivência. "Ela é suspeita de ser conivente. Ela defende o marido o tempo todo, mas não tem como ela não ter percebido a violência", diz Galvão.

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Entenda

Na sexta-feira (15/04), a pequena Lívia começou a ter febre e dores no corpo e no dia seguinte foi levada ao Hospital Municipal de Bom Jardim de Goiás, mas logo recebeu alta. Na segunda-feira (18/04), voltou a passar mal e foi conduzida a unidade de saúde, onde foi medicada e levada para a casa, durante a tarde. Quando retornou para a residência, ela foi cuidada pelo padrasto. Por volta das 23h do mesmo dia, Lívia teve o estado de saúde agravado e precisou ser levada às pressas para o Pronto Socorro de Barra Do Garças, onde tem Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu e morreu.

De acordo com o delegado Ricardo Galvão, a equipe médica estranhou as marcas no corpo da criança e acionou a polícia, que através do exame de corpo delito, constatou que houve violência sexual e morte violenta. A perícia indicou ainda que o hímen da menina já havia sido rompido antes da última violência sexual e que as dores que a vítima estava sentindo, provavelmente foram em razão da compressão realizada sobre os pulmões dela durante a violência, provocando ferimento interno.

“Pelo espaço cronológico apontado pelos legistas nós acreditamos que ela foi abusada na tarde de segunda-feira e quem estava na casa nesse período era o padrasto”, frisou Galvão, que afirma não ter dúvidas da autoria do crime. “Nós ratificamos o pedido de prisão do Sandro e o exame de DNA deve confirmar a suspeita da polícia”, explicou o delegado.

A mãe de Lívia, que se separou do pai da menina para ficar com Sandro, disse que não desconfiava de nada do companheiro e que aguarda os exames para confirmar a autoria do crime. Um vídeo foi encontrado no celular de Sandro o mostra pelado na frente da esposa com a filha mais nova no colo. Sandro comentou com a polícia que o vídeo foi um momento de bobeira e negou que tenha fetiche por criança.

Um exame de DNA, solicitado pela Polícia Civil, deve ficar pronto no mês de maio.


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