21/08/2017 às 11h46min - Atualizada em 21/08/2017 às 11h46min

Defesa diz que padre preso em Caiapônia suspeito de cometer abusos prometendo 'recuperar virgindade' nega acusações

Advogado afirma que já entrou com pedido de soltura de Iran Rodrigo Oliveira, 45, que segue detido em Anicuns (GO). Religioso é investigado por estupro de pelo menos cinco fiéis.

Do G1 Goiás
Padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira foi preso suspeito de abusar de fiéis (Foto: Divulgação/MP)

A defesa do padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira, de 45 anos, preso suspeito de cometer abusos sexuais com promessa de “recuperar a virgindade”, diz que o religioso nega as acusações. De acordo com o advogado Leonardo Couto Vilela, foi protocolado, na quinta-feira (17/08), um pedido para a soltura do pároco no Fórum de Anicuns, cidade onde ele segue detido, mas o documento só deve ser analisado na semana que vem.

“Estão dizendo muitas coisas que não procedem. Ele fazia sim uma celebração, mas sem nenhum objetivo de cunho sexual ou pornográfico. Ele tem o dom da cura e já ajudou muita gente, tanto que na semana que vem várias pessoas que já receberam os milagres vão procurar as autoridades para depor a favor dele. Ele nega qualquer tipo de abuso”, disse o advogado.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) investiga pelo menos cinco estupros que teriam sido cometidos pelo padre, que foi preso preventivamente na última quarta-feira (16/08) na cidade de Caiapônia, no sudoeste de Goiás. Depois, ele foi transferido para Anicuns, a 76 km de Goiânia, onde permanece detido.

De acordo com as investigações, há suspeita de que os crimes eram cometidos desde 2005. Inicialmente, a acusação era de dois crimes contra uma jovem, de 21 anos, e uma adolescente, de 14, na época do crime, em 2014. Depois que o caso veio à tona, outras três jovens procuraram o MP para denunciar o pároco. Também há suspeita de casos envolvendo uma criança de 11 anos a mulher de 50.

Na sexta-feira (18), o padre prestou depoimento ao promotor de Justiça Danni Sales Silvas, que disse que o relato foi longo, mas não poderia revelar informações sobre o teor do depoimento.

Já o advogado do padre disse que ele negou todas as acusações. “Todos os juízos de valores negativos e prejudiciais ao mesmo deverão ser invertidos em breve, vez que não há qualquer tipo de abuso de cunho sexual a menores e adolescentes”, ressaltou o defensor, que diz que “até que se prove o contrário, Oliveira é inocente”.

Ainda segundo Vilela, o padre segue em uma cela separada em Anicuns, fora de risco, enquanto aguarda a apreciação do pedido de revogação de prisão preventiva.

“Ele tem direito a uma cela especial pelo fato de ser pároco e por ter curso superior em teologia. Mesmo assim, queremos que ele tenha a prisão revogada ou possa cumprir a prisão domiciliar. Caso a juíza da Comarca de Anicuns negue esse pedido, vamos impetrar com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Goiás”, afirmou.

Abusos

De acordo com as investigações, os abusos aconteciam dentro da casa paroquial e duravam de 1h a 1h30. As vítimas relataram ainda ao Ministério Público que se sentem culpadas por terem deixado ser abusadas pelo padre.

“Uma delas chorou do início ao fim do depoimento, perguntando se ela era culpada por aquilo. Ela chegou até a pesquisar na internet se aquele tipo de benção, tocando as partes íntimas, existia dentro da Igreja Católica”, contou o promotor.

Na ocasião da prisão, o bispo diocesano de São Luís de Montes Belos de Goiás, responsável pela paróquia de Americano do Brasil, da qual o padre preso faz parte, informou à TV Anhanguera que o pároco deve ficar afastado das atividades durante as investigações e que ele ainda é suspeito e não culpado.


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