20/03/2018 às 20h08min - Atualizada em 20/03/2018 às 20h08min

MP deve oferecer denúncia nesta semana contra bispo e outros presos por desvios de dinheiro investigados na Operação Caifás

Tribuna Piranhense - em Piranhas
Jotta Oliveira
Dinheiro apreendido na Operação Caifás (Foto: Fagner Pinho e acervo das Promotorias de Formosa)

O Ministério Público de Goiás iniciou nesta terça-feira (20/03) a coleta de depoimentos dos investigados presos na Operação Caifás, deflagrada na segunda-feira (19/03) e que desarticulou um esquema de desvio de dinheiro e apropriação indébita de recursos da Diocese de Formosa, bem como de algumas paróquias ligadas a ela em outras cidades. Os valores desviados eram provenientes de dízimos recolhidos dos fiéis, de doações e de taxas arrecadadas com festas e cerimônias da Igreja Católica, como batismo e casamento.

Na operação, foram detidas nove pessoas, entre elas o bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, quatro padres, um monsenhor, um vigário-geral e dois funcionários ligados à administração da Cúria, e cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, em diferentes locais. Além de Formosa, as ordens judiciais foram cumpridas em Posse e Planaltina. A ação, coordenada pelos promotores de Justiça Fernanda Balbinot e Douglas Chegury, contou com a atuação de mais dez promotores de Justiça e o apoio do Centro de Inteligência (CI) do MP-GO, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Entorno do Distrito Federal, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI-MP), além da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Na entrevista à imprensa ontem, os promotores destacaram que as investigações tiveram início a partir de denúncias feitas ao MP por fiéis e divulgadas, também, pelo jornal O Popular no ano passado. Diante dos indícios existentes de desvio dos recursos, a Justiça autorizou a realização de escutas telefônicas, que comprovaram a prática de várias irregularidades.

Segundo explicado pelo promotor Douglas Chegury, entre os crimes que estão sendo apurados estão os de associação criminosa, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A expectativa do MP é oferecer a denúncia em relação aos crimes já apurados até o fim desta semana. A investigação, contudo, deverá ter continuidade. O prazo da prisão dos suspeitos é de cinco dias (prisão temporária).

Na entrevista, os promotores fizeram questão de ressaltar que a investigação envolve pessoas que estão vinculadas à Igreja Católica e não a instituição. Douglas Chegury entende, inclusive, que a igreja é também vítima nesse caso.

Dinheiro apreendido
Entre o material apreendido na operação estavam documentos, notas promissórias, computadores, joias, relógios, máquinas fotográficas, e grande quantia em dinheiro. Somente na casa de um padre, em Planaltina, foram recolhidos cerca de R$ 70 mil que estavam no fundo falso de um armário. A investigação apontou que, entre os bens adquiridos com o dinheiro dos fiéis, estão fazenda, carros, relógios e uma casa lotérica. A estimativa até agora é que o desvio dos recursos supere R$ 1 milhão. O total, contudo, pode ser ainda maior.

Os presos
Além do bispo, foram detidos na operação o vigário-geral da Diocese, monsenhor Epitácio Cardozo Pereira; o padre Moacyr Santana; padre Mário Vieira de Brito; padre Thiago Wenceslau, juiz eclesiástico; padre Waldoson José de Melo; os empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa Augusto (acusados de serem “laranjas”) e Guilherme Fredeerico Magalhães, secretário da Cúria de Formosa.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MP-GO


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