26/06/2014 às 10h00min - Atualizada em 26/06/2014 às 10h00min

Vacina contra herpes zoster liberada

A doença, popularmente chamada de cobreiro, acomete quem já teve catapora. O vírus reativado acompanha os nervos, o que causa dor no paciente pelo resto da vida

Divania Rodrigues - em Goiânia
Diário da Manhã

Uma a cada três pessoas pode desenvolver herpes zoster após os 50 anos, segundo estudos científicos. Fazendo parte desse grupo de risco estão pessoas que tiveram catapora na infância e durante a terceira idade e, também, que estão com deficiência no sistema imunológico. Para evitar as dores e desconfortos provocados pela doença a vacina é uma medida simples de prevenção.

Latência 

O herpes zoster é uma doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster, um integrante da família do herpes-vírus. Conforme o médico sanitarista Ricardo Cunha, responsável pelo setor de vacinas do Laboratório Atalaia, na atualidade 95% dos adultos já contraíram esse vírus.

Na infância esse agente patogênico é responsável pela doença contagiosa conhecida como catapora. Esta provoca o aparecimento de dezenas de bolhas espalhadas pelo corpo das crianças, coceira, febre, além de outros sintomas.  

Quando as erupções da catapora cicatrizam e os sintomas desaparecem, o vírus varicela-zóster ainda continua no corpo infectado. Porém, de forma latente, dentro dos gânglios do sistema linfático, bloqueado pelo sistema imunológico.

Reativação

Com o passar dos anos, devido a alguma falha no sistema de defesa, o corpo pode deixar de combater esse vírus. Assim, ele passa a agir na área próxima a qual estava armazenado, surgindo o herpes zoster. 

Sintomas

Essa doença é popularmente conhecida como cobreiro, pois o vírus causa bolhas e feridas no trajeto dos nervos próximos ao gânglio afetado. Além das erupções, o herpes também é responsável por dor aguda, descrita como debilitante.

“Por se localizar próximo ao nervo, o herpes zoster é extremamente doloroso e causa muito sofrimento a milhões de pessoas em todo mundo”, Ricardo explica.

Uma vez reativado, o vírus apresenta os principais sintomas durante cerca de duas semanas, de acordo com a gravidade de cada caso. Não há cura para a doença e, de acordo com Ricardo, o tratamento é realizado apenas com base em remédios paliativos para a dor. 

Após o desaparecimento das bolhas, o local fica sensível durante meses ou anos. Às vezes até mesmo uma mudança de temperatura no clima, pode causar dor no nervo afetado. É o que os médicos denominam de neurite ou neuralgia pós-herpética. “O nervo exposto ao herpes, fica sensível e é facilmente irritável”, afirma o médico sanitarista. 

Complicações

A doença acomete principalmente a região do tronco, mas pode também aparecer no rosto dos pacientes. “Nestes casos, se as lesões infecciosas estiverem próximas aos olhos pode haver risco de perda da visão”, alerta. 

O herpes também é responsável por sequelas na pele que podem prejudicar a autoestima dos portadores, quando o local é visível.

Perigo

O grupo de risco compreende pessoas com o sistema imunológico deficiente. Por isso a maioria dos casos se dá após os 50 anos de idade. Porém, em alguns casos a doença afeta pessoas jovens. T.S.T.T., técnico de informática, 32 anos, foi acometido pela doença aos 27 anos.

Por causa de uma coceira na pele ele cedeu a conselhos populares e começou a tomar, sem prescrição médica, um antialérgico. “Como eu não estava no grupo de risco para a doença os médicos não conseguiam entender o motivo de eu estar com herpes. Cheguei a fazer até mesmo o teste para HIV, mas eles só descobriram quando falei do xarope”, esclarece ele.

Conforme o médico sanitarista, em pessoas jovens o herpes está associado com doenças extremamente debilitantes e que causam estrago no sistema imunológico, como o câncer e a Aids. Outro fato causador da queda na imunidade é o uso de antialérgicos, com corticoides, sem recomendação médica durante um longo período.

No caso do técnico de informática, o diagnóstico e o fator que possibilitou a reativação do vírus demoraram a ser conhecidos. De acordo com ele, tudo começou com uma forte dor no ouvido a qual foi tratada como otite. Depois de uma noite as bolhas apareceram juntamente com a dor lancinante. “Doía muito, era uma sensação de queimadura e ardência ao mesmo tempo. Como se alguém pegasse o meu rosto e ‘ralasse’ pelo asfalto”, declara.

O herpes afetou o nervo trigêmeo do lado esquerdo do rosto de T.S.T.T., que passou 15 dias internado e 20 dias com as erupções. As manchas das cicatrizes permaneceram em sua pele por cerca de dois meses. Porém, como parte das sequelas, ele afirma ter perdido parte de sua sensibilidade tátil perto do ouvido.

Vacina

Por ser uma doença para a qual não existe tratamento, o médico é enfático em relação à importância da prevenção através da vacina Zotavax, que é novidade na área de saúde brasileira. Ela “aumenta a imunidade celular, reduzindo a incidência, a gravidade e as complicações da doença, que causa dor extrema aos pacientes”, completa o médico.

Liberada desde 2006 nos Estados Unidos, país no qual foi desenvolvida, a vacina já é liberada em vários países pelo mundo e é considerada eficiente e segura. No Brasil, ela foi liberada em abril, mas ainda não é oferecida pelo Sistema Único de Saúde. 

Para evitar sofrimento com os incômodos da doença, os interessados acima de 50 anos encontram a vacina na rede particular de saúde. Quem não tem a idade indicada, deve procurar o médico e solicitar receita mediante necessidade. A Zotavax, aplicada em dose única, pode ser encontrada no valor de R$ 400 a R$ 450.

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