26/03/2019 às 09h39min - Atualizada em 26/03/2019 às 09h39min

ASSISTA: Na Alego, André Ariza articula implantação de programa de inclusão social para pessoas com deficiência visual

Ideia é utilizar uma tecnologia israelense que dá às pessoas cegas ou com baixa visão a possibilidade de lerem livros, jornais, revistas e outros itens disponibilizados nas bibliotecas públicas

Tribuna Piranhense - em Piranhas
Jotta Oliveira


Por iniciativa do diretor de planejamento estratégico da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), André Ariza, e do presidente da Casa de Leis, deputado Lissauer Vieira (PSB), ocorreu, no último dia 21 de março, uma reunião com a secretária de Estado de Educação (Seduce), Fátima Gavioli, para discutir a viabilização de um programa de inclusão social para pessoas que possuem deficiência visual ou dificuldade de leitura no acesso às bibliotecas públicas. O evento ocorreu na sede da Seduce e também contou com a presença do presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Goiás, Aldenor Carneiro.

No encontro, um dos fundadores da empresa Mais Autonomia (Assistive Technology), Doron Sadka, apresentou e explicou como funciona um hardware chamado OrCam MyEye, de tecnologia israelense, que permite às pessoas cegas ou de baixa visão lerem textos de jornais, livros, revistas, entre outros, além de auxiliar no reconhecimento de rostos, produtos e cores.

De acordo com André Ariza, o programa vai possibilitar maior acesso à leitura e pode incentivar os deputados a levá-lo para suas bases. “Nossa intenção é sensibilizar os deputados para que, por meio das Emendas Parlamentares, levar às bibliotecas públicas do Estado o equipamento. Essa é uma das ideias. A Alego está nessa parceria para discutir as questões de legislação. Quando esse projeto for implantado temos a intenção de criar o Projeto “Leitura para todos”, contou.

Aldenor Carneiro, Presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Goiás, aprovou a nova tecnologia, mas explicou que o preço pode não ser acessível. “Ela pode ajudar muito os deficientes visuais, porém é um preço ainda muito elevado para o padrão dos nossos associados que são, em sua maioria, de pessoas carentes. Porém, se tivesse um preço mais acessível seria incrível e muitos de nossos associados poderiam adquirir. É uma tecnologia fantástica que permite ao deficiente visual ter autonomia em sua vida diária”, salientou durante a reunião.

Como a intenção primordial do projeto é levar o equipamento para bibliotecas, Aldenor afirma que será um ótimo começo para os deficientes visuais poderem usufruir da tecnologia. “Quando falamos em usar esse aparelho em bibliotecas públicas é muito bom pois mesmo tendo um preço que não é acessível, estando nas bibliotecas vamos promover o acesso à leitura”, salientou.

Ao demonstrar como funciona a tecnologia do OrCam, Doron Sadka, contou que ela já está presente no país há um ano. “Estamos em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Piauí. Ela promove verdadeira autonomia e independência do portador de deficiência visual. Isso é inclusão de fato”, destacou.

Durante a reunião, Doron apresentou a tecnologia à secretária de Educação, Fátima Gavioli e ela testou com uma leitura em inglês e em português. Ela contou que nas escolas goianas há 223 estudantes cegos e 2178 com baixa visão. “Vejo o aparelho com maior funcionalidade agora dentro das escolas do que dentro das bibliotecas. As crianças nas escolas precisam mais, pois dessa forma não vão desistir da escola. Pois a maioria deles não termina a escola por não conseguir fazer as atividades por consequência da baixa visão ou cegueira. As escolas muitas vezes não têm estrutura para conceder uma educação específica para essas crianças”, disse.

Visão artificial

O OrCam é a implantação de um aparelho de “visão artificial”, acoplado no rosto da pessoa, em geral nos óculos, pesando 22,5 gramas, cuja tecnologia embarcada é israelenese, que escaneia textos, transformando a escrita em áudio, ajudando assim quem tem dificuldade com leitura e proporcionando o conhecimento aos deficientes visuais.

O OrCam MyEye também escaneia rostos, e ao encontrar alguém conhecido, diz para o usuário de quem se trata. Também é possível identificar valores monetários, como contas, extratos, notas fiscais e outros documentos detalhados, como, por exemplo, cartões de crédito, além de ler qualquer material impresso, pois ele reconhece textos com precisão, mesmo à distância. Seja um livro ou um cardápio e até mesmo uma placa do outro lado da rua.

O produto já está na segunda versão, o OrCam MyEye 2, custa R$ 19.900,00 no Brasil e os detalhes podem ser consultados no site https://www.orcam.com/pt/myeye2.

O Brasil tem hoje cerca de 6,5 milhões de deficientes visuais, sendo 600 mil cegos e 6 milhões com baixa visão. Em Goiás, são 18 mil cegos e 180 mil com baixa visão.

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