19/08/2019 às 11h45min - Atualizada em 19/08/2019 às 11h45min

Bartolomeu Xavier: Meu Sítio

Bartolomeu Xavier de Sousa Filho - Professor e escritor
Seu moço às vezes venho à cidade
Mas só para alguma coisa comprar
Gosto mesmo é de viver no mato
Ter meus animais e uma horta pra cuidar
Tudo isso próximo de um rio é claro
Com bons poços para eu poder pescar
 
É no sítio que me sinto bem
Logo cedo ouço a passarada cantar
Pego o milho no paiol e debulho
Para a galinhada alvoraçada alimentar
Recolho os ovos frescos nos ninhos
E colho os frutos maduros no pomar
 
Tiro o leite da Mimosa e da Açucena
Que de tão mansas se pode até coçar
Faço queijo, bolo, doce e requeijão
Tenho um chiqueiro e um porco a engordar
Como temperado com banha de porco, sim
Sem com o tal colesterol me preocupar
 
Sinto o ar puro entrar em meus pulmões
Vejo o mato ao sabor do vento balançar
Deito na rede para tirar uma soneca
Sem medo de uma bala perdida me acertar
O cachorro faz as vezes do interfone
Me avisando quando alguém chegar
 
Fecho os olhos e na quietude do silêncio
A natureza manda a brisa me alertar:
- Faça sua parte use só o necessário
Para que nada possa vir a lhe faltar
Sou pródiga e sempre serei generosa
Com quem carinhosamente de mim, cuidar
 
Se quiser visitar esse meu santuário
Estarei de braços abertos a te esperar
Só lhe peço um pouco de paciência
Porque antes preciso lhe confessar
Este sítio sempre esteve em meus sonhos
Mas infelizmente, ainda não consegui comprar
 


Autor: Bartolomeu Xavier de Sousa Filho

Piranhas, agosto de 2019
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