30/10/2020 às 16h49min - Atualizada em 30/10/2020 às 16h49min

Instituto responsável por pesquisa eleitoral em Piranhas é envolvido em suspeita de fraude

Candidatos receberam ofertas de levantamentos com resultados fraudulentos

Tribuna Piranhense - Com informações de O Globo
Jotta Oliveira
(Foto: Reprodução)
Um dos institutos responsáveis pelas recentes pesquisas eleitorais no município de Piranhas é alvo de uma série de acusações de fraudes na coleta e divulgação de dados. Se trata do Ipop Cidades & Negócios que, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (30/10), já acumula mais de 30 processos na Justiça Eleitoral de Goiás.
 
Em 2020, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) tem registro de 5 pesquisas eleitorais de 4 institutos diferentes, sendo que um deles é do Ipop sob o número GO-01080/2020, realizado no dia 18 de outubro. De acordo com informações contidas no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dados da pesquisa foram coletados nos dias 16 e 17 de outubro e a divulgação dos mesmos estava prevista para o último dia 24, o que não foi encontrado por nossa reportagem.
 
Número de pesquisas eleitorais bancadas por institutos cresceram em meio a suspeitas de fraudes
 
Enquanto os olhos do TSE estão voltados para o combate à desinformação, um esquema capaz de influenciar os resultados eleitorais cresce a cada dia no país, principalmente nas pequenas cidades. O número de pesquisas bancadas pela própria empresa que realiza o levantamento praticamente triplicou este ano, segundo dados do próprio tribunal. Até quinta-feira (29/10), 3.499 pesquisas foram registradas nesse molde - 174% a mais na comparação com o mesmo período em 2016 (1.279), conforme apurou o O Globo.
 
A expansão do mercado de medição da intenção de votos vem acompanhada de práticas que podem interferir no processo eleitoral, principalmente nas pequenas cidades. Os números escondem a falta de controle de qualidade dos levantamentos que são produzidos e registrados oficialmente como pesquisas. A reportagem de O GLOBO identificou acusações de ofertas de resultados fraudulentos, levantamentos feitos a partir de formulários do Google e Facebook e uso de dados falsos de estatísticos.
 
Ao informarem que realizaram as pesquisas com verba própria, sem contratante externo, os institutos não precisam prestar contas sobre a origem do dinheiro.
 
Casos
 
Em oito meses, o Ipop Cidades & Negócios investiu R$ 650 mil em 350 pesquisas, em 192 cidades — todas praticamente com o mesmo custo, de R$ 2 mil, independentemente do tamanho da amostra e do local. Na última semana, a empresa registrou 114 pesquisas no TSE, com a previsão de ouvir 57 mil pessoas.
 
O dono do instituto, Márcio Rogério Pereira Gomes, foi o titular de outra empresa que figurou no topo das pesquisas autofinanciadas em 2016. Ele foi condenado recentemente a sete meses de prisão, em regime aberto, e ao pagamento de R$ 213 mil por divulgação de pesquisas fraudulentas relativas às eleições municipais de quatro cidades no interior de São Paulo.
 
Em Pontalina, o Ministério Público entrou com uma representação contra o Ipop após receber a denúncia de que Márcio Rogério Pereira Gomes “ofereceu um resultado mais favorável a um pré-candidato”.
 
Em depoimento, o candidato do PSC à prefeitura do município, Mack, disse que o empresário pediu R$ 6 mil para publicar uma pesquisa em que ele apareceria com 21,3% das intenções de voto. A oferta foi recusada e, um mês depois, foi publicado um levantamento em que Mack tinha 11,3%. Depois da divulgação, a Justiça barrou a pesquisa.
 
“Há indícios de que ocorreu a fraude e que ele (Gomes) foi o autor”, afirmou o procurador Guilherme Oliveira, que colheu o depoimento do candidato e tem em mãos o áudio da conversa dele com o empresário.
 
Em outro caso que corre na Justiça Trabalhista, uma ex-funcionária do Ipop relata um cenário distinto do apresentado pela empresa nos últimos meses. Contratada como agente de pesquisa no fim de janeiro, ela relata falta de salários e acúmulo de funções que deveriam ser desenvolvidas pelo estatístico responsável pelas pesquisas, como a confecção dos discos apresentados aos eleitores e a definição dos bairros das cidades em que os questionários serão aplicados.
 
Em prints de conversas anexadas pela defesa da funcionária no processo, o dono do Ipop pede que a funcionária envie por WhatsApp a relação de bairros de Guapó, Aragoiana, Varjão, Cezarina e Indaiara, onde foram aplicados questionários do instituto. A funcionária encaminha a lista para Márcio e avisa que está confeccionando o disco que será usado na pesquisa.
 
Os questionários apresentam falhas, como nomes fora de ordem alfabética e presença de candidatos que sequer fazem parte da disputa. Já os dados de estratificação mudam completamente. Numa mesma cidade, mulheres representaram 27,3% dos entrevistados em julho. Em outubro, a quantidade subiu para 48,2%.
 
Procurado, o empresário afirmou que as pesquisas são judicializadas por candidatos descontentes com os resultados. “Caso você fosse candidato e saísse um resultado em que você está em segundo ou terceiro, você não ia desqualificar a pesquisa? Estamos ganhando (na Justiça) em todas”.
 
Em nota, o TSE informou que não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado das pesquisas, tampouco gerencia ou cuida de sua divulgação, atuando sempre que é provocado por meio de representação. De acordo com o tribunal, um sistema com mais segurança para o registro de pesquisas será implementado no ano que vem.

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