06/11/2020 às 11h25min - Atualizada em 06/11/2020 às 11h25min

Instituto alvo de operação do MPE realizou pesquisa eleitoral em Piranhas

Grupo é suspeito de produzir e divulgar pesquisas eleitorais fraudulentas em Goiás. Candidatos que se beneficiaram podem ser alvo de ação de impugnação

Tribuna Piranhense - com informações da Assessoria de Comunicação Social do MP
Jotta Oliveira
Apresentação dos resultados da Operação Neméia, na sede do MP-GO (Foto: Cristiani Honório/Assessoria MP-GO)
O Ipop Cidades & Negócios, alvo da Operação Leão de Neméia deflagrada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) nesta quinta-feira (5/11), realizou pesquisa eleitoral no município de Piranhas no mês de outubro, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-01080/2020. De acordo com informações contidas no portal do TSE, os dados foram coletados nos dias 16 e 17 de outubro e a divulgação dos mesmos estava prevista para o último dia 24, o que não foi encontrado por nossa reportagem.
 
Conforme apurou o MPE, um grupo teria sido formado com o intuito de produzir e divulgar pesquisas eleitorais fraudulentas para favorecer candidatos em todo o Estado de Goiás nas eleições municipais de 2020. A Operação Leão de Neméia cumpriu mandados de buscas e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia.
 
De acordo com o promotor eleitoral Douglas Chegury, o Ipop Cidades & Negócios é o instituto com o maior número de pesquisas registradas no TSE – além de Piranhas, foram 348 em outros 190 municípios goianos (o Estado tem 246 municípios).
 
As suspeitas sobre a atuação foram despertadas a partir da informação do instituto de que teria bancado os valores – cerca de R$ 2 mil – para a realização dos levantamentos. O custo total de todas as pesquisas pode alcançar R$ 700 mil e o capital social do Ipop Cidades & Negócios é de R$ 150 mil, conforme registrado na Junta Comercial de Goiás (Juceg) em fevereiro deste ano.
 
MPE quer identificar candidatos que se beneficiaram
 
O MPE informou que, a partir de agora, concentrará as investigações no âmbito da Operação Leão de Neméia na identificação dos candidatos que se beneficiaram das pesquisas eleitorais fraudulentas e que os mesmos podem ser alvo de ação de impugnação.
 
“A apuração tem de ser rápida, já que os prazos são muito curtos, em razão da proximidade do pleito, no dia 15 de novembro”, afirmou o promotor Douglas Chegury.
 
Critérios não atendidos
 
O promotor eleitoral Lucas César Costa Ferreira informou que várias pesquisas realizadas pelo Ipop nas quatro cidades que compõem a 31ª Zonal Eleitoral de Goiás foram indeferidas por não atenderem aos critérios estabelecidos pela lei eleitoral. Segundo ele, em Silvânia, por exemplo, constavam dados de levantamentos realizados em bairros que não existem.
 
Lucas César Costa Ferreira relatou que, entre o material apreendido nos endereços da empresa, foi encontrada uma planilha em que constam nomes de candidatos que teriam sido procurados e aceitaram utilizar as pesquisas fraudadas em suas campanhas, chamados pelo empresário de “parceiros”. Foram recolhidos computadores, formulários e arquivos nos locais de cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
 
O promotor Eusélio Tonhá dos Santos afirmou que os indícios de irregularidades são fortes e os elementos de prova consistentes para constatar as fraudes praticadas pelo Ipop Cidades & Negócios. Para ele, a Operação Leão de Neméia inibe as tentativas de subverter a ordem democrática e o processo eleitoral. “Estamos diante de um audacioso plano de viciar o processo eleitoral e o MPE trabalha para solidificar a democracia, fazendo prevalecer os princípios da ordem democrática”, explicou.
 
Em São Paulo
 
O MPE cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz eleitoral da comarca de Alvorada do Norte, no Nordeste goiano, Pedro Henrique Guarda Dias, nos municípios de Goiânia e Aparecida de Goiânia, na sede da empresa, e nas residências do proprietário do Ipop Cidades & Negócios, Márcio Rogério Pereira Gomes, e da estatística Karen Cristina Alves Pessoa. O magistrado também autorizou o compartilhamento das provas obtidas em todas as zonas eleitorais de Goiás.
 
As investigações apontaram que Márcio Rogério, nas eleições municipais de 2016, atuou desta mesma forma em mais de uma centena de municípios do Estado de São Paulo, valendo-se de uma outra empresa criada à época para produzir e divulgar pesquisas fraudadas (Márcio Rogério Pereira Gomes-ME/Jornal Folha da Região Norte Paulista). Ele responde a dezenas de processos cíveis e criminais na Justiça Eleitoral paulista, já tendo sido condenado em vários deles. Com a descoberta de sua atuação em São Paulo, migrou para o Estado de Goiás neste ano, onde criou a empresa Ipop com o mesmo objetivo criminoso.
 
Suspensão das pesquisas
 
Em dezenas de zonas eleitorais do Estado multiplicam-se ações que requerem a suspensão da divulgação de tais pesquisas, o que já foi deferido em muitas delas, com o objetivo de preservar a transparência e legitimidade do processo eleitoral. As fraudes consistem em produzir pesquisas que não refletem a realidade das intenções de voto dos eleitores, com desobediência dos requisitos exigidos na legislação eleitoral, em bairros inexistentes e com oferta criminosa de manipulação de dados em favor de candidatos.
 
Da operação, participaram também os promotores eleitorais Asdear Salinas, de Iaciara; Guilherme Vicente de Oliveira, de Pontalina, e Lucas César Costa Ferreira, de Silvânia. De acordo com o delegado Pedro Garcia Caires, da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), que auxiliou nas diligências, com apoio operacional, foram mobilizadas 4 equipes – do Grupo de Repressão a Narcóticos de Aparecida de Goiânia (Genarc), da Deccor e da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), com efetivo de 4 delegados de Polícia Civil e 16 agentes.
 
O nome da operação é uma referência ao primeiro de 12 trabalhos executados pelo herói mítico grego Hércules, que derrotou o leão que explorava e subjugava a região de Neméia, localizada no Nordeste do Peloponeso.

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