12/08/2021 às 07h30min - Atualizada em 12/08/2021 às 07h30min

Prefeitura de Piranhas se pronuncia sobre superlotação do Cemitério Municipal São Miguel

Município já investiu mais de R$ 500 mil em projeto de novo cemitério, porém obra não avança. Cidadãos denunciam que não há mais vagas para novos enterros

Tribuna Piranhense - em Piranhas
Jotta Oliveira
Cemitério de Piranhas não tem mais vagas (Foto: Arquivo pessoal/Gerson Francisco Severino)
Uma reportagem, publicada no portal G1 na manhã desta quarta-feira (11/08), traz denúncias de moradores sobre a superlotação do Cemitério Municipal São Miguel, em Piranhas, onde não há mais vagas para sepultamentos.
 
O texto da jornalista Danielle Oliveira apresenta um caso em que o técnico de refrigeração Alan Kardec precisou ceder espaço em um túmulo da família dele para que a mãe de uma amiga pudesse ser enterrada.
 
"Lá não está tendo vaga para enterrar e eu senti que deveria ajudar. Como eu tenho a sepultura lá, onde estão enterrados meu pai, minha mãe, irmã e um sobrinho, eu falei para ela [a amiga] falar com o coveiro, que eu autorizaria", disse Alan.
 
O enterro da mulher foi feito na segunda-feira (9/08), mas, segundo moradores, a lotação no cemitério acontece há mais tempo. O consultor de piscinas Gerson Francisco Severino, de 38 anos, disse que, atualmente, para enterrar alguma pessoa no local, é preciso fazer a exumação de algum corpo.


 
"O cemitério não tem mais nem portão, os muros estão caindo. Agora, chegou a um ponto que não tem mais condição. Não tem como colocar ninguém. Para enterrar alguém, tem que exumar. Se a família não tiver algum túmulo, tem que levar para outra cidade", explicou.
 
O prefeito Marco Rogério, o Chicão (Solidariedade), reconheceu a superlotação do Cemitério Municipal de Piranhas e disse que o projeto para construção de uma nova estrutura está encaminhado e que já possui até o terreno. De acordo com o gestor, a previsão é que a construção comece em cerca de três meses.
 
"Realmente, está superlotado, mas é algo que já vem de vários anos. [...] Quando a pessoa [que morreu] não tem família, é um caos. Lá não está podendo enterrar, porque já está um em cima do outro, mesmo. Vem se arrastando de gestões", disse.
 
Através da Secretaria Municipal de Administração e Gestão, a Prefeitura de Piranhas divulgou uma nota informando que tem trabalhado para dar o mínimo de dignidade para os moradores enterrarem seus entes queridos, seja na manutenção do atual cemitério, seja no planejamento para a construção de um novo.
 
“A reclamação da população quanto a lotação é algo que se arrasta por anos, não sendo problema somente da atual gestão. Tanto é verdade, que em gestões anteriores fora feito um planejamento de construção de um cemitério, compra do imóvel para referida construção, e elaboração de projeto, porém, a construção não fora iniciada”, declarou em um dos trechos da nota.
 
Busca por novo cemitério
 
Em 2015, a gestão do então prefeito André Ariza (Progressistas) desapropriou uma área localizada no Setor Santo Antônio, no cruzamento da Avenida Brasil Central com a BR-158, próximo ao trevo de saída para Caiapônia, onde se objetivava a construção de uma nova estrutura para a realização de sepultamentos em Piranhas. Na época, a administração municipal declarou ter gasto R$ 150 mil para a aquisição do terreno que passou por planialtimétrico, além de estudos e sondagens para a elaboração do projeto de implantação do novo cemitério denominado Morada do Sol. A expectativa era entregar a obra em até seis meses.


 
Já em 2016, Ariza confirmou que a licença ambiental para a construção teria sido concedida e, em setembro daquele ano, a obra que, naquele momento, era orçada em cerca de R$ 1 milhão, chegou a ser iniciada com recursos próprios da Prefeitura Municipal no valor aproximado de R$ 150 mil gastos com terraplanagem.
 
De acordo com o projeto contratado pelo governo de André Ariza, o Cemitério Morada do Sol teria uma entrada especial, lojas, salas de velório, refeitório e lanchonete, cruzeiro, capela e um armazém/vestiário. Porém, dois meses depois da inicialização, ainda em 2016, os trabalhos foram paralisados.
 
A partir de 2017, já sob o comando de Eric Silveira (Progressistas), a Prefeitura de Piranhas continuou sendo pressionada pela população e se pronunciou em diversos momentos sobre o assunto. Em 2018, por exemplo, diante de mais uma das várias intensificações da indignação popular, o Executivo se reuniu, em diversas ocasiões, com o Poder Legislativo para buscar soluções de questões impeditivas, entre elas as ambientais.
 
Em março de 2020, Eric Silveira veio a público para anunciar a liberação de mais uma licença ambiental que, novamente, permitiria a construção do novo Cemitério Municipal. O documento foi apresentado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA).
 
O local de construção foi mantido, porém o projeto de 2016 acabou sendo refeito (veja vídeo abaixo) em um investimento de aproximadamente R$ 120 mil. Na sequência, houve a execução de terraplanagem e outras ações que custaram valores próximos a R$ 140 mil – e parou por aí.


 
Levando em consideração os valores divulgados pelos governos de André Ariza e Eric Silveira, já foram gastos em torno de R$ 560 mil sem que o problema social tenha sido solucionado.

Veja o vído do projeto apresentado pelo ex-prefeito Eric Silveira:



 
Prefeitura pretende readequar projeto novamente
 
Conforme a nota assinada pelo atual secretário municipal de Administração e Gestão de Piranhas, Sebastião Francisco da Silva Júnior, a execução do projeto que foi elaborado pelo ex-prefeito Eric Silveira para construção do Cemitério Municipal custará em torno de R$ 1,5 milhão. “Segundo a receita municipal atual, é totalmente inviável de ser colocado em prática”, disse.
 
“Assim, é necessária a readequação do projeto para que torne viável a construção e manutenção do cemitério. O Prefeito e sua equipe técnica têm trabalhado arduamente na readequação e execução desse projeto e, em breve, a obra será entregue a população local”, explicou.
 
Quanto as alegações de descaso com o atual cemitério, o Governo de Piranhas disse que “a informação não procede” e que obras de manutenção são constantemente realizadas, tais como: manutenção do muro que cerca o imóvel; colocação de placas de concreto nos túmulos que estavam expostos; e melhoria na iluminação aos arredores, já que, devido a pandemia do novo coronavírus, não há horário determinado para enterros, podendo ocorrer a qualquer hora do dia.


 
“Ademais, é mantido um servidor no local que cuida da limpeza do ambiente. Tanto é verdade, que no ano de 2021 não consta uma única reclamação na Ouvidoria Municipal quanto ao descaso mencionado. O Governo Municipal ratifica o seu compromisso de resolver o problema quanto ao atual e ao novo cemitério, colocando fim a angústia e o desespero dos familiares que perderam seus entes queridos e não possuem túmulos próprios para os enterrarem. E ainda ressaltamos, que o compromisso na agilidade na construção do cemitério atenderá a presente e futura carência de túmulos em nosso município”, finalizou.

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