23/12/2021 às 11h29min - Atualizada em 23/12/2021 às 11h29min

Como será este Natal

Professor e escritor Bartolomeu Xavier de Sousa Filho fala sobre a esperança em dias melhores

Por Bartolomeu Xavier de Sousa Filho - professor e escritor
(Foto: Reprodução)
No momento em que este texto estava sendo escrito (25 de novembro), muitas “Marias” estavam no oitavo mês de gestação. Algumas com berço novo de último modelo, em um quarto exclusivo decorado convenientemente de acordo com o sexo do bebê, assim como todo o restante do requintado enxoval. O obstetra e a vaga na renomada maternidade onde toda a gravidez foi rigorosamente acompanhada, também já estava garantida. Tudo pronto só aguardando o tão sonhado momento. Outras “Marias”, apesar de terem visitado os médicos de plantão no SUS em alguma situação de desconforto, esperavam o momento com dúvidas se na hora H haveria um médico de plantão em um hospital municipal. Em uma vaga no quarto do próprio casal, um berço de segunda mão será colocado e o enxoval será constituído por roupinhas de baixo custo. Quanto ao parto há a preocupação se será normal ou cesariano pois, nos últimos meses, devido a pandemia, não foi possível fazer exames, regularmente. O casal até sabe o sexo, mas em qual hospital será o parto e se vão encontrar vaga, não sabem.
 
Porém, milhões de “Marias” fazem parte dos menos favorecidos socialmente falando e, por isso, tem muito mais precauções; não tiveram um acompanhamento durante a gravidez (muitas vezes indesejada) por falta de orientação preventiva, por falta de um posto de saúde ou de acessibilidade. Não tiveram uma alimentação com o mínimo de nutrientes exigidos para uma gestação regular, e como normalmente já há outros filhos, ainda pequenos, o espaço para colocar o berço, se o tiver, preocupa, já que as condições de moradia são precárias. Esse recém-nascido fará uso das poucas roupinhas usadas que solidariamente foram disponibilizadas, por algum parente ou alguma organização comunitária, além disso, esse feto pode vir a nascer prematuro e desnutrido, trazendo consigo o risco de já nascer com alguma enfermidade ou, na pior das hipóteses, uma grande probabilidade de óbito para ele e/ou para a mãe.
 
Atravessamos tempos difíceis, mas temos que manter a nossa esperança em dias melhores, pois em meio a tantos nascimentos das famílias pobres, teremos um que será especial; o nascimento do Menino Jesus. Não terá um teto para se abrigar, não terá berço e sim uma manjedoura, não terá um enxoval digno apesar de ser um Rei, mas já em sua natividade nos dá o exemplo de pobreza e simplicidade nos mostrando que, apesar de ser filho do Altíssimo e ter em Suas mãos os destinos de toda a humanidade, quis nascer despojado de qualquer privilégio ou ostentação, e como se isso não bastasse, ainda terá que fugir com seus pais para se livrarem dos perseguidores como acontece atualmente com muitos imigrantes mundo afora.
 
Que neste Natal possamos dar tudo de nós, irmanando-nos em uma corrente de solidariedade contínua, compaixão, empatia, tolerância, fraternidade, zelo pelo meio ambiente e, ao mesmo tempo, abominarmos tudo aquilo que está levando a sociedade ao caos; o egoísmo que leva à desonestidade, que por sua vez, gera a corrupção da qual advém a miséria que abate sobre os menos favorecidos. Se queremos uma sociedade próspera e justa, devemos seguir os exemplos que esta Criança nos trouxe, já ao nascer.
 
Que o Menino Jesus abençoe os nossos governantes e todos os demais funcionários públicos, dando-lhes probidade, lisura, transparência e disposição para cumprir, com dignidade, os cargos que lhes foram confiados, e assim, imbuídos de boa-fé façam a diferença para que o nosso país possa crescer em prosperidade, solidariedade, empatia e fraternidade.
 
Que neste Natal, o Menino Deus possa estar renascendo no coração de cada um trazendo alento, muita paz e renovadas esperanças em dias melhores!



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