26/04/2022 às 11h43min - Atualizada em 26/04/2022 às 11h43min

Diminuição nos índices de vacinação contra meningite em Goiás gera alerta

Doença pode deixar graves sequelas e até mesmo levar à morte

Tribuna Piranhense - com informações de Juliana Carnevalli via SES
Jotta Oliveira
Vacina é a mais importante prevenção contra a meningite (Foto: SES-GO)
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) está alertando a população sobre a importância da vacinação contra a meningite em crianças e adolescentes. Dados da pasta apontam que os índices de coberturas dos imunizantes que protegem contra a doença têm diminuído ao longo dos últimos anos, o que é considerado preocupante.
 
A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, ressalta que a vacina representa o meio mais eficaz de prevenção a essa grave doença, que pode causar a morte do paciente ou deixar sequelas irreversíveis. “Orientamos as pessoas a manterem atualizado o cartão de vacinação das crianças, que estabelece o imunizante a ser aplicado para a proteção de diversas doenças, conforme a faixa etária”, acentua a superintendente.
 
Dados da SES-GO indicam que, durante todo o ano de 2021 foram registrados dez casos de meningite em Goiás, nos municípios de Anápolis (1), Anicuns (1), Caldas Novas (1), Castelândia (1), Niquelândia (1), Goiânia (2) e Rio Verde (3). Este ano, até o momento, foram registrados 4 casos de meningite, dos quais 3 foram em Goiânia e 1 em Niquelândia.
 
Inflamação das meninges
 
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A meningite de origem infecciosa pode ser causada por diferentes agentes etiológicos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas. As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, pelo fato de serem transmissíveis e pelo potencial de produzir surtos.
 
A meningite bacteriana pode causar formas mais graves da doença. A bactéria comumente responsável pelos quadros mais graves e fatais é o meningogoco. Existem diferentes sorotipos de meningococo, identificados pelas letras A, B, C, W e Y. No Brasil, há alguns anos, há a predominância do sorotipo C. A meningite viral, por sua vez, é menos grave. Ela pode ser tratada em casa e não requer medicamento específico. Na maioria dos casos, essa forma de meningite não deixa sequelas.
 
A meningite bacteriana é transmitida de pessoa a pessoa, pela via respiratória, por meio de gotículas e secreções, ao tossir, falar, espirrar e compartilhar talheres e copos. Já a meningite viral é transmitida, além da via respiratória, por meio de contato com fezes e pela picada de mosquitos contaminados.
 
Sintomas
 
Os principais sintomas de meningite são início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez na nuca. Muitas vezes, há outros sintomas, como mal-estar, náusea, vômito, fotofobia e confusão mental. Alguns sintomas mais graves podem aparecer, como convulsões, delírio, tremores e coma.
 
Em recém-nascidos e bebês, alguns desses sintomas podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, alimentar-se mal ou parecer letárgico, sem resposta a estímulos. Também pode apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.
 
Coberturas vacinais
 
A SES-GO dispõe de cinco tipos de vacinas contra a meningite para a população. Dessas, quatro são aplicadas nos centros de saúde existentes em todos os municípios. Atualmente, os índices de cobertura dos quatro imunizantes incluídos no Calendário Nacional de Vacinação (CNV) estão abaixo de 75%.
 
Na avaliação de Flúvia Amorim, os baixos índices de cobertura vacinal de meningite evidenciam que a população tem estado mais exposta ao risco de infecção pelos agentes causadores da doença. Conforme a superintendente, há necessidade emergencial de alcance da meta da cobertura vacinal de 90% a 95%, conforme preconiza o Ministério da Saúde.
 
Flúvia Amorim ressalta que, além da vacinação, as principais medidas para prevenção das meningites são evitar aglomerações e locais fechados com muitas pessoas, manter os ambientes ventilados e limpos e não compartilhar objetos de uso pessoal.
 
Vacinas disponíveis na rede pública
 
Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): Protege contra as infecções invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite. São indicadas duas doses, aos 2 e 4 meses, e reforço, aos 12 meses de idade.
 
Pentavalente: Protege contra as infecções invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. São indicadas três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade.
 
BCG: Protege contra as formas graves da tuberculose. É indicada uma dose ao nascer, podendo ser administrada até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
 
Vacina meningocócica ACWY conjugada: Protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo A,C,W e Y. É indicada uma dose para crianças e adolescentes de 11 e 12 anos de idade.

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