29/01/2015 às 10h24min - Atualizada em 29/01/2015 às 10h24min

Conta de luz deve subir 27,6% em 2015, diz BC

Jotta Oliveira - Piranhas
Com informações de O Globo

O brasileiro deve amargar uma alta na conta de luz de nada menos que 27,6% neste ano. Já a gasolina deve ficar mais cara 8%, em 2015, nas projeções do Banco Central. Esses reajustes das tarifas públicas devem pesar na inflação mais que o esperado antes. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu sinais de que a alta dos juros continuará. Na ata da reunião da semana passada, publicada na manhã desta quinta-feira, a cúpula do BC até acha que a possibilidade de alcançar a meta de inflação no ano que vem aumentou, mas os sinais de que a inflação vai melhorar daqui para frente ainda são insuficientes.

“A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes”, disse o Copom na ata.

O Copom alterou substancialmente a previsão para a inflação de tarifas públicas no Brasil. Aumentou a projeção de alta dos preços administrados de 6% para 9,3% neste ano. A alta de impostos sobre os combustíveis e a seca foram os principais motivos. No caso da energia elétrica, sem chuva, o governo torna-se dependente da energia térmica, que é mais poluente e mais cara.

Nesse cenário, o BC justificou que se a taxa de juros fosse mantida em 11,75% ao ano, como estava até a semana passada, e o dólar continuasse em R$ 2,65, a projeção para a inflação neste ano aumentava. No entanto, para o ano que vem ficaria estável, mas ainda acima da meta. Esse é um sinal de que a alta feita na semana passada deve ter ajudado as projeções de inflação para o ano que vem caminharem mais para perto de 4,5%.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano passado em 6,41%, próximo do teto da meta estabelecida pelo governo. O objetivo é de 4,5%, mas com margem de tolerância de 2 pontos percentuais. O BC já combinou que só conseguirá chegar no centro do alvo no fim do ano que vem.

Comitê elevou juros na semana passada

Na semana passada, pela terceira vez seguida após as eleições, o BC aumentou a taxa básica de juros (Selic), por unanimidade, de 11,75% ao ano para 12,25 % ao ano. É a maior taxa desde agosto de 2011. Em vez de focar no crescimento do país que está próximo de zero, os diretores apertaram discurso contra a alta de preços. Para o Copom, as taxas de crescimento do consumo e da economia se alinharam e que o ritmo de expansão da atividade doméstica. E estão abaixo do potencial, ou seja, não são combustível para a inflação. E o crescimento se acelerará quando a confiança de firmas e famílias aumentar.

No texto, o Copom fez uma alteração sutil em relação à política de gastos públicos do governo que reflete essa reconquista da confiança promovida pela nova equipe econômica. O BC deixou de dizer que esperava que o superávit primário – a economia para pagar juros da dívida pública – que estava prevista na Lei. Agora, diz que trabalha com as metas do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e de 2% do PIB no ano que vem.

Tanto que o Copom já aposta que os gastos públicos não afetarão a demanda. Essa é uma mudança importante em relação à visão do comitê em dezembro. O BC aposta que os gastos públicos serão neutros ou até terão um efeito contenção da demanda. Ou seja, o aperto fiscal de Levy deve ajudar a conter a inflação. Para o Banco Central, esse ajuste fortalecerá a percepção de sustentabilidade do balanço do setor público. Isso estimulará o investimento privado no médio e no longo prazo. E, no futuro, representará um alívio para a inflação.

O BC incluiu ainda no texto uma avaliação sobre o turbulento mercado financeiro internacional. Copom destaca evidências de focos de volatilidade nos mercados de moedas e moderação na dinâmica dos preços de commodities nos mercados internacionais. Isso significaria que o preço desses produtos – essenciais nas exportações brasileiras – tende a encontrar o equilíbrio.

“Especificamente sobre o petróleo, o Comitê assinala que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais tende a se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas de inflação”.

Mesmo com a injeção de liquidez bilionária para a Europa, o BC manteve a previsão de altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas, constituem elementos de contenção de investimentos e do crescimento.

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