14/02/2015 às 10h59min - Atualizada em 14/02/2015 às 10h59min

Após a promotoria de Piranhas, mais 10 promotores entram com ação contra cobranças abusivas da Celg em Goiás

Jotta Oliveira - Piranhas
Da Redação, com informações de O Popular
(Foto: Reprodução/O Popular)

Depois de várias polêmicas devido ao aumento nas tarifas de energia e na incrementação das bandeiras tarifárias, a Celg Distribuição (Celg D) voltou a ser alvo de novas críticas. Após a Ação Civil Pública proposta pelo promotor da comarca de Piranhas, Ramiro Carpenedo Netto, várias pessoas do Noroeste e Oeste do estado estão procurarando apoio no Ministério Público (MP) para tentar resolver a situação.

Até o momento, a comarca de Goiânia foi informada de que promotorias mais 10 municípios das regiões afetadas já entraram com processo contra a Celg. Além de Piranhas, Jussara, Santa Fé, Firminópolis, Iporá, Diorama, Amorinópolis, São Miguel do Araguaia, Minaçu, Nova Crixás e Mundo Novo, fora outras cidades que não comunicaram a ação ao MP da capital.

Cobrança integral

De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Consumidor do MP de Goiás, promotora Alessandra de Melo Silva, na maioria dos casos, a empresa fez a cobrança integral, em uma só fatura, de valores acumulados pela não medição do consumo entre os meses de setembro e dezembro de 2014, o que é proibido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). já que o consumidor não teve culpa da interrupção dos serviços da empresa responsável pela medição.

Como relembrou a promotora, as leituras nas unidades consumidoras do Norte e do Oeste do Estado foram interrompidas nesse período devido a problemas com a empresa Potência Construções Elétricas Ltda - contratada para desempenhar a função - que interrompeu o serviço por enfrentar complicações financeiras. Nesse meio tempo, as contas de energia foram faturadas segundo a média de consumo. Dessa forma, as medições só voltaram a ser feitas em janeiro, quando uma nova empresa, a MW Projetos, assumiu a responsabilidade.

O problema agora está no método de cobrança adotado pela Celg, que chegou a considerar as novas tarifas e as bandeiras tarifárias na cobrança de KW/h excedentes dos últimos meses de 2014, quando os novos preços ainda nem estavam em vigência. “Além disso, em muitas faturas, houve a cobrança de juros e as pessoas chegaram a ser ameaçadas de corte no fornecimento de energia caso não pagassem as contas superfaturadas”, comentou a Alessandra.

Revolta

Em algumas cidades goianas, como no caso de Piranhas, quem pegou as contas de energia referentes a janeiro e a fevereiro levou o maior susto. Isso porque o aumento em algumas faturas foi superior a 300%. O pedreiro Itamar Ferreira Lima, Acostumado a pagar cerca de R$ 71 em média, foi surpreendido com uma fatura de R$ 622. “Não concordo com esse valor, é muito grande. Cuido do meu pai já idoso e doente, de dois filhos, não tenho trabalho fixo e o que ganho é muito pouco. É praticamente impossível pagar essa fatura”, desabafou.

Divina Alves de Oliveira, outra piranhense, é doméstica e também ficou espantada quando abriu a conta de luz. “Eu moro sozinha, não recebo visita nenhuma, não tenho ninguém que me ajude nas despesas e o salário de doméstica é muito baixo, não sei o que vou fazer para conseguir pagar essa fatura”.

Em São Luiz dos Montes Belos a situação não foi diferente. De acordo com o estudante Eduardo Dias comentou que os valores das faturas que estão chegando estão impraticáveis e mesmo parcelando, fica difícil pagar, já que no próximo mês uma nova fatura vai chegar.

“Aqui a Celg está falando para as pessoas que todo o Estado está em bandeira vermelha e que não adianta nada procurar informações nem tentar recorrer, já que se a conta não for paga eles vão cortar a energia”, informou.


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