16/03/2015 às 00h00min - Atualizada em 16/03/2015 às 00h00min

Cortes do Governo Estadual afetam UFG e escolas estaduais

Jotta Oliveira - Piranhas
Com informações de O Popular

A Universidade Federal de Goiás (UFG) já sofre os efeitos da redução nos repasses do governo federal de R$ 28 milhões, previstos para este primeiro trimestre, para R$ 19 milhões. Cerca de 70% do previsto. Parte dos servidores terceirizados que trabalham na vigilância, limpeza e área administrativa já foi demitida e algumas faculdades admitem que tiveram de reduzir em 25% o orçamento interno. A universidade está negociando contas de energia atrasadas com a Celg e está em débito com fornecedores e com as construtoras responsáveis pelas obras em andamento.

A assessoria de imprensa da UFG não informou quantos servidores terceirizados foram afastados, mas a medida afetou as 26 faculdades da UFG e as três regionais, de Catalão, Goiás e Jatai, orientadas a reduzir o quadro de terceirizados. Mas nem todas as unidades acataram a ordem da reitoria. A regional de Goiás, por exemplo, se negou a demitir os servidores terceirizados. “E não vamos demitir”, afirma o vice-diretor Juliano Avelar Moura.

No Instituto de Ciências Biológicas (ICB) ficou apenas um dos quatro servidores administrativos contratados e, na Faculdade de Odontologia, a limpeza que era diária passou a ser feita duas vezes por semana. A Faculdade de Agronomia demitiu 30% dos terceirizados, quatro que trabalhavam no campo e dois na recepção, informou o diretor da unidade, Robson Maia Geraldine. A Faculdade de Veterinária também perdeu parte dos servidores terceirizados.

O que mais preocupa alunos e professores é a redução no numero de vigilantes. “A segurança, que já estava comprometida, piorou”, afirma o diretor do ICB, Reginaldo Nassar Ferreira. Uma das empresas que prestam serviço de vigilância no Campus Samambaia reduziu 36 vigias de prédios e 8 vigilantes armados. A redução representa cerca de 10% da equipe e deve afetar a segurança no campus, que já era alvo de reclamação. Em 28 de janeiro deste ano, reportagem do POPULAR mostrou que o trafico de drogas e roubos amedrontavam a comunidade acadêmica.

A empresa de vigilância que presta serviço no campus Samambaia está com o pagamento atrasado há mais de três meses, situação semelhante a da empresa que presta serviço de segurança e limpeza na regional de Goiás. Segundo o vice-diretor da unidade, desde janeiro a UFG não paga pelos serviços prestados. Na regional de Jatai, os trabalhadores terceirizados fizeram uma greve, no final do mês passado, por causa do atraso no pagamento, que vem desde o fim do ano passado.

A UFG também está em atraso com o pagamento das construtoras que prestam serviço à universidade. A fatura com vencimento em 9 de janeiro de uma construtora responsável por diversas obras no campus de Goiânia, Catalão e Jatai ainda não foi paga e a empresa vai rever o andamento das obras. “A gente aguenta uns dias, mas se não resolverem a situação vamos ter que parar”, afirma o proprietário da construtora. Até as contas de energia da UFG estão em atraso.

O diretor do ICB já percebe com muita intensidade os efeitos do corte dos recursos da universidade. Segundo ele, a redução de 25% no orçamento do instituto vai obrigar a unidade a priorizar algumas atividades acadêmicas em detrimento de outras. É provável que a escolha recaia sobre o ensino. “É uma decisão dramática para o instituto que tem uma produção cientifica significativa.”

“Cenário restritivo”

O corte de 33% na verba de custeio das universidades federais ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional, mas segundo o reitor, Orlando Amaral, o Ministério da Educação (MEC) autorizou gastos dentro do limite do corte previsto. “Esse cenário mais restritivo provavelmente vai afetar as universidade federais”, admite Amaral, que já adotou medidas para adequar a UFG a nova realidade orçamentária.

A universidade vai priorizar, nesse momento de restrição orçamentária, o pagamento das bolsas aos alunos, de servidores terceirizados e dos fornecedores, de acordo com o reitor. Amaral afirma que os fornecedores vêm recebendo, mas não no fluxo normal, e que entre os serviços, apenas a conta de energia está atrasada.

Em relação às demissões de servidores terceirizados, o reitor afirma que a UFG está redimensionado esse quadro e que, até agora, foram demitidos 25% dos trabalhadores administrativos contratados mediante um aditivo do contrato original que previa 90 postos de trabalho. Quanto à falta de papel e sabão nos banheiros, Amaral não acredita que seja reflexo do corte orçamentário. “O que pode ter acontecido é um descompasso entre uma licitação e outra.”

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