05/05/2015 às 09h58min - Atualizada em 05/05/2015 às 09h58min

Conheça a mulher que não sente dor e pegou no sono dando à luz

BBC
Marisa Toledo sofre de analgesia congênita, rara condição que afeta menos de 50 pessoas no mundo (Foto: Reprodução/BBC)

Marisa Toledo, de 27 anos, tem um sonho incomum. “Quero sentir dor.”. O desejo da paulista de Angatuba vem em razão de um problema raro: a insensibilidade congênita à dor, ou analgesia congênita.

Acredita-se que menos de 50 pessoas em todo o mundo todo sofra do mal. À primeira vista, não sentir dor pode parecer um benefício, mas a doença pode colocar a vida da pessoa em risco

“Quando você sente dor, você corre para o médico. Quando você se corta, ou outra coisa, mas eu não sinto isso. Então (o corte) fica inflamado. Minha perna está fora do lugar, se eu tivesse dor, eu nem estaria andando", afirmou.

A doença ainda não é totalmente compreendida pelos médicos e Marisa já precisou sair da cidade diversas vezes para fazer exames no Hospital das Clínicas. Pesquisadores já chegaram a remover nervos da perna da mulher para investigar a doença.

Casada e mãe de três filhos, ela passou pelos partos sem dores. No primeiro parto, uma cesariana, ela não precisou de anestesia e, durante o nascimento do segundo de seus três filhos, ela pegou no sono.

“Minha bolsa estourou e fui ao hospital daqui, mas o médico não quis fazer o parto. Eles me mandaram para Sorocaba (a duas horas de viagem). Quando cheguei, estava cansada e dormi”, disse.

Ela conta que ouviu a enfermeira gritando quando acordou e percebeu a filha nascendo. “Eu nem senti ela saindo, nada. Eu fiz um esforço, mas quem fez a força foi ela", acrescentou.

Um dos três irmaõs de Marisa, Reinaldo, de 33 anos, também sofre da doença. O problema é genético, mas os três filhos dela não foram afetados.

Marisa diz que não consegue entender ideias como agonia e sofrimento, comuns para quem sente dores. Mesmo assim, o maior desejo dela é sentir dor. “Eu falo para as pessoas 'como pode doer tanto', como em um parto. Para mim, eu fico imaginando como é a dor. Um dia queria ter dor, mas acho que nunca vou ter porque desde criança eu não tenho.”

 


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Fale conosco pelo Whatsapp
Fale com o Tribuna Piranhense
Fale conosco pelo Whatsapp